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VOCÊ CONHECE A GUILLAIN-BARRÉ?


POR DIOGO LAPAIVA


A não ser que você possua um familiar, amigo ou alguém próximo com essa síndrome, é provável que jamais tenha ouvido falar nela, o que é perfeitamente normal, porque esse nome é desconhecido até mesmo para alguns profissionais de saúde, incluindo médicos, enfermeiros, entre outros.


A Síndrome de Guillain-Barré é autoimune e muito crítica. Pode deixar sequelas graves naqueles que a desenvolvem e, na pior das hipóteses, levar a óbito, principalmente em casos que o atraso no diagnóstico ocasione a demora no tratamento, permitindo assim, a piora do quadro do paciente.


Geralmente ocasionado por alguma infecção, esse distúrbio faz com que o próprio sistema imunológico ataque o sistema nervoso, que é responsável pela transmissão da informação do cérebro com as demais partes do corpo, destruindo a camada que reveste essas células chamadas de mielina, levando a diversos sintomas, que vão desde formigamento nas pernas e nos braços, passando por paralisias em vários órgãos e membros, chegando, em casos mais graves, a causar paradas cardiorrespiratórias.


Saindo um pouco dos termos técnicos e colocando essa síndrome numa linguagem mais popular, imagine que o seu corpo é uma fábrica e que cada membro dele, assim como os órgãos, são departamentos interligados e alimentados por um emaranhado de fios que, por meio de uma energia, levam o comando de uma central, permitindo que cada departamento desempenhe o seu papel corretamente.


Agora pense, se alguns ratos começarem a roer esses fios dia após dia, acabando com aquela capinha isolante que os reveste, isso vai provocar sucessivos curtos-circuitos, fazendo que, em pouco tempo, a comunicação da central de comando e os departamentos fiquem completamente ineficientes.


No caso da Guillain-Barré, analisando por uma ótica extremamente simplista, acontece mais ou menos dessa forma. A central é o cérebro, os departamentos são os membros e órgãos, os fios são o sistema nervoso, os ratos, nesse caso são o próprio sistema nervoso que colapsado pelo patógeno atua como vorazes roedores e paralisam o corpo de forma parcial ou total, dependendo da atuação médica indispensável nesses casos.


SINTOMAS COMUNS:

Os sintomas variam de paciente para paciente, mas os mais comuns são dormência ou queimação nos membros, sensação essa que geralmente é percebida primeiramente nos membros inferiores, mas isso não é uma regra. Se não tratado, geralmente, o formigamento sede lugar a perda de força progressiva, seguida da paralisia, que pode ocorrer em todas as partes do corpo, incluindo olhos, boca, face, braços, faringe, laringe, pulmão e bexiga, podendo essa progressão da síndrome ser interrompida com o tratamento médico.


O que dificulta bastante o diagnóstico da Síndrome, além do pouco conhecimento sobre ela, é a quantidade de sintomas que um paciente pode sentir, dentre eles a sonolência, confusão mental, crise epiléptica, alteração do nível de consciência, visão dupla, fraqueza facial, tremores, perda do controle muscular e claro, a perda dos movimentos em qualquer parte do corpo.



DIAGNÓSTICO E TRATAMENTO

Por se tratar de uma doença neurológica, ao perceber os sintomas, mesmo que leves, o paciente deve procurar um médico, de preferência um neurologista. Depois da anamnese, o profissional, provavelmente pedirá exames, como por exemplo a eletroneuromiografia, amostra do líquido cefalorraquidiano (punção lombar) e até mesmo tomografia, podendo variar de acordo com a preferência do clínico responsável.


Após o fechamento do diagnóstico é adotado um protocolo de tratamento que também varia de acordo com a preferência do neurologista, da estrutura do local onde o paciente está sendo tratado e da progressão da síndrome. Os protocolos mais comuns incluem o tratamento com imunoglobulina, que tem se mostrado eficiente retardando ou impedindo o progresso da SGB, atuando como um imunomodulador.


Entre outros medicamentos que são comuns nessa situação, o tratamento de plasmaférese também é observado em alguns casos e, por não existir um protocolo oficial para a condução dessa síndrome rara, a avaliação dos prós e contras de cada método fica a cargo do médico responsável.


ESSA SÍNDROME TEM CURA?

A Guillain-Barré não tem cura por ser um distúrbio autolimitado (ou seja, tem início, meio e fim), porém, os tratamentos realizados têm o objetivo de impedir a progressão dela, diminuindo as sequelas devastadoras que são deixadas na maioria dos casos.


A recuperação do paciente afetado pela síndrome é diretamente relacionada com a gravidade do caso, que por sua vez está atrelada à velocidade do diagnóstico e dos protocolos de tratamentos adotados.


Existem registros de pessoas que se recuperaram plenamente e por outro lado alguns casos em que o afetado teve que aprender a conviver com sequelas graves ou moderadas e que são perenes, independentemente do tratamento que se faça.


COMO FICA A VIDA APÓS A SGB?

Bem, se você leu até aqui, pode perceber que eu não sou médico. Na verdade, como a grande maioria dos brasileiros eu conheci a síndrome quando estava numa UTI acometido por ela. Portanto, esse texto de maneira nenhuma tem o objetivo de referenciar tratamento ou mesmo de fazer parte de uma espécie de literatura médica, muito pelo contrário, é apenas uma introdução para uma série de textos, vídeos e depoimentos relacionados à vida pós-SGB.



 


Nos próximos textos compartilharei uma série de experiências, algumas tristes, outra felizes e, também, do que faço diariamente para aprender a lidar com os desafios impostos por essa nova condição com um único objetivo: AJUDAR OUTRAS PESSOAS QUE ESTÃO PASSANDO PELO MESMO PROBLEMA OU SIMILAR. 😊



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